Manifestação e democracia


Porto Alegre, o Brasil e, especialmente, a democracia estão de parabéns. O país viveu um dia de manifestações de grandes proporções.

Há quem diga que foram 3 milhões de pessoas, há quem diga que foram 2 milhões, há quem diga que foi menos, há quem diga que foi mais.

A batalha de números é o que menos importa em todo este movimento. O que importa é a lição que o Brasil deixou. É possível tomar as ruas, protestar, enfatizar seu ponto de vista sem praticar ato algum de violência. Não precisar pichar um prédio público ou quebrar a vitrine de algum banco para que a tua voz seja ouvida. Protestos assim, feitos com indignação, mas pacíficos, são os que de fato ajudam a refletir sobre o estado das coisas e quem sabe encontrar soluções.

O combate à corrupção é uma bandeira que unifica todos os brasileiros. Essa luta só será efetiva quando sobre corruptos e corruptores de todos os calibres cair todo o peso da lei. Para isso é fundamental reforçar as instituições, especialmente o Judiciário, que precisa ter total respaldo e independência para tomar suas decisões. Tenho certeza que o governo federal saberá ouvir as vozes das ruas e adotará as medidas necessárias.

A única nota triste do domingo foi ter visto aqui e ali, espalhadas pelas manifestações nas principais capitais brasileiras, faixas e recados pedindo o retorno da intervenção militar. Se estivéssemos hoje sob o domínio de uma ditadura, pergunto: que liberdade a imprensa teria para escancarar os casos de corrupção (lembrando que a imprensa e a liberdade de expressão foram as primeiras vítimas do golpe de 64)? Como o cidadão ficaria sabendo dos problemas e soluções para o país? Como os milhões que hoje exerceram a sua liberdade plena poderiam manifestar sua opinião?

Nem interesses partidários, nem pessoas descoladas com a história de liberdade do país podem macular as manifestações pacíficas, que são instrumentos fundamentais para a maturidade e consolidação do Estado Democrático de Direito.


Fonte: fortunati.com.br

0 comentários :: Manifestação e democracia

Enviar um comentário